Parentes de moradores procuram por mais desaparecidos após desabamento

Dois dias após o desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida no Centro de São Paulo, durante um incêndio, mais familiares procuram por pessoas desaparecidas e que poderiam estar no prédio no momento da queda, na madrugada de terça-feira (1).

Desde a tragédia, os bombeiros já buscavam 4 pessoas que podem estar sob os escombros. Além de um morador chamado Ricardo, que quase foi resgatado durante o incêndio e caiu no momento do desabamento, o vendedor Antônio Ribeiro Francisco, de 42 anos, disse que busca informações sobre a ex-mulher dele, Selma Almeida da Silva, e os dois gêmeos filhos dela, que moravam no prédio, diz o G1.

Agora, mais pessoas aparecem buscando parentes. As irmãs Edivânia da Silveira e Vaneide buscam estão agoniadas buscando informações sobre a mãe, Eva Barbosa da Silva. Eva e o marido, Walmir Souza, moravam no prédio e não foram vistos desde o desabamento.

“Eu penso que ela está aí, porque eu deixei ela aí. Ou então, se alguém tentou salvar ela, fui no hospital e não achei”, diz Evaneide.

“Quando eu acordei, já soube da notícia, fiquei desesperada”, afirma Edvani da Silveira.

Uma senhora também está preocupada procurando o sobrinho, Arthur de Paula, conhecido como Pipa ou Mineiro. Ele é outro que não deu notícias.

A última informação é de que viram ele entrar no quartinho em que dormia no prédio, mas não viram ele sair de lá.

“Se ele estava no sexto andar e dormindo, não deve ter dado tempo de ele sair. Mas eu não quero dar essa notícia pro meu irmão. Eu quero ver se a gente acha ele vivo”, afirma a tia.

Buscas

O Corpo de Bombeiros começou, por volta das 3h30 desta quinta-feira (3), a trabalhar com máquinas pesadas no local do desabamento do edifício. Duas escavadeiras, um trator e caminhões começaram a ser usados na retirada de entulho. Os bombeiros também continuaram resfriandos os destroços, pois focos de incêndio foram encontrados. As buscas manuais foram encerradas.

“Os objetivos continuam, mas a estratégia mudou. Já se passaram mais de 48 horas do início das buscas, protocolarmente é aceito o uso de maquinário pesado”, afirmou o capitão Robson Mitsuo.

O Corpo de Bombeiros trabalhou durante toda a madrugada no local do acidente com a ajuda de 80 homens que estava divididos em duas equipes: uma equipe de incêndio para fazer o resfriamento e outra equipe de buscas, que fazia o trabalho manual com ajuda de cães farejadores, que foi parada após o uso das máquinas.

“Muito improvável, não falo impossível porque a gente sempre vai ter uma esperança, mas é muito improvável. São condições incompatíveis com a vida, as condições de desabamento, de incêndio a mais de 800 graus, as 48 horas”, declarou o capitão dos bombeiros sobre a possibilidade de encontrar sobreviventes.

03/05/2018