Enem digital: professor alerta para oferta de tecnologia para os alunos de escolas públicas

O Ministério da Educação anunciou na última quarta-feira (03), em Brasília, que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sofrerá alterações e terá formato digital. A proposta é de uma inserção de forma gradativa. No ano de 2020, a versão digital terá sua aplicação em fase de testes.

A ideia do governo é deixar de lado as versões impressas definitivamente em 2026. Vale lembrar que não haverá mudanças para os participantes inscritos em 2019.

Mas essas mudanças trazem algumas dúvidas para quem irá concorrer a uma vaga na Universidade: É seguro? O que vai mudar na prática? Quais as medidas que serão tomadas por parte do governo na manutenção do novo modelo do exame?

Professor Luiz André conta que vê essa mudança como algo positivo e que desde que seja feita de forma correta, tem tudo para dar certo no Brasil. “Uma vez sendo feita, dando tudo certo, sendo obedecido o critério de igualdade com provas que sejam realizadas de maneira digital e de maneira normal de forma correta, com grau de dificuldade, todos certos, eu não vejo como problema. Pelo contrário, acho que é uma tendência a se seguir, uma tendência mundial”, disse o professor.

Mas o profissional da educação chama a atenção para um fator determinante, o da segurança. Ele afirma que sua maior preocupação no novo modelo do exame está na manutenção das escolas do país, além do grau de dificuldade que as provas terão no modelo digital.

“O meu medo está no tocante da questão da estrutura. Eu não vejo de acordo com os números do censo escolar, capacidade logística para fazer um exame de tal dimensão. O governo vai ter que fazer investimentos muito altos”, disse Luiz que emendou.

“O meu problema está no grau de dificuldade da prova. Porque fazendo uma prova de caráter digital, você tem, por exemplo, a possibilidade de utilização de um vídeo, de um infográfico, coisa que no papel não tem”, disse ele.

Outro ponto abordado por Luiz foi a forma com que os alunos se preparam para a prova. Luiz acredita que a parte psicológica é de extrema importância nesse momento em que o jovem irá decidir o seu futuro. “É uma questão extremamente importante porque mexe no psicológico de alguém que é muito jovem, no processo de formação já é muito difícil ele ter que escolher uma profissão para o resto da vida dele, ele tendo 16, 17 anos. A gente sabe muito bem que isso é muito complicado”, contou o professor.

“O aluno passa o ano inteiro estudando, e começa de janeiro e vai, normalmente até o final de outubro, e em Novembro ele começa o processo de acontecer a prova. Nessa situação o grau de estresse é muito forte”, completou.

Luiz também chamou atenção para a questão da estrutura de cada escola para aplicar a prova, uma vez que não é sempre que o aluno dispõe do acesso a tecnologia dentro das salas de aula, o que pode ser um ponto negativo nessa mudança na aplicação do exame. “Vamos levar em consideração o aluno de escola pública ele não muita habilidade com o computador. Ele investe muito em smartphone. Você teria aí uma dificuldade técnica para tal fato. Como é que na prova vai ser utilizado? A redação vai ser num word, impresso? O aluno não está muito habituado a tal situação”, contou Luiz que seguiu.

“Essa é a grande realidade. Se você pegar o número geral da população brasileira, um pouquinho mais da metade tem acesso a internet. O meu temor – e para mim não é má ideia o Enem digital – é que este exame não tenha acesso a computadores terão mais dificuldade em fazer as provas. Pode dificultar o acesso ao exame por isso”, completou.

Por fim, o professor conta que, apesar dos riscos que existem da prova ser “burlada” por se tratar de um mecanismo digital, ele se mostra otimista com a mudança e acredita que essa é a grande oportunidade para que o governo federal invista mais na área da educação. “Hoje meu maior problema é a segurança. A chance de uma prova ser burlada no computador é muito grande”, disse ele.

“Acho que diante disso, é uma grande chance de se buscar mais investimentos para essa área. Eu vejo como positivo até por esse lado. Para poder aplicar você vai ter que fazer um investimento muito grande para que essas máquinas possam funcionar”, concluiu.

09/07/2019